segunda-feira, março 7

Talvez por ser Assistente Social...

... ou simplesmente por ser Mulher, encaro o Dia Internacional da Mulher não tanto como uma data que visa assinalar a conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres, mas sobretudo como uma data em que pensamos no muito que ainda há a fazer. Talvez por nunca ter sido vítima de violência doméstica, física ou psicológica, ou por não ter nascido numa cultura com práticas como a mutilação genital feminina, ou a proibição do direito de voto, não encaro a data como um sinal de conquistas, embora reconheça que historicamente é esse o papel que se pretende assinalar. Penso sobretudo no muito que ainda há a fazer.


Em Junho de 2000, em Nova Iorque, numa Sessão Extraordinária da Assembleia Geral das Nações Unidas intitulada “Mulher 2000: Igualdade entre os Sexos, Desenvolvimento e Paz no Século XXI”, Kofi Annan, então Secretário-Geral das Nações Unidas disse:

A violência contra as mulheres é talvez a mais vergonhosa violação dos direitos humanos. Não conhece fronteiras geográficas, culturais ou de riqueza. Enquanto se mantiver, não poderemos afirmar que fizemos verdadeiros progressos em direcção à igualdade, ao desenvolvimento e à paz”.

Subscrevo as suas palavras totalmente.

“A violência contra as mulheres assume diversas formas, incluindo a violência, a violação, o tráfico de mulheres e raparigas, a prostituição forçada e a violência em situações de conflito armado, tais como os assassínios, as violações sistemáticas e a gravidez forçada. Inclui também os assassínios por motivos de honra, a violência relacionada com o dote, o infanticídio feminino e a selecção pré-natal do sexo do feto em favor de bebés do sexo masculino, a mutilação genital feminina e outras práticas e tradições danosas.”
Sessão Extraordinária da Assembleia Geral das Nações Unidas intitulada “Mulher 2000: Igualdade entre os Sexos, Desenvolvimento e Paz no Século


Se há temática social pela qual nutro particular interesse é a questão da pobreza no feminino, à qual me costumo referir como a pobreza que se reveste num corpo de mulher, uma questão ainda pouco explorada entre nós (portugueses). É minha pretensão aprofundar o estudo das teorias da pobreza no feminino, pois a minha incursão neste tema é ainda muito superficial. É gritante o esforço que as mulheres tem que fazer todos os dias para serem competitivas, já nem digo para sobreviverem. Tem em regra um acesso ao mercado de trabalho mais difícil, os trabalhos são em regra mais precários; tem uma jornada contínua emprego - trabalho doméstico, que as leva na maior parte do tempo a colocarem-se em segundo plano; os números da famílias monoparentais constituídas por mães com filhos aumenta todos os dias, facto que se revela preocupante pela condição de na maioria dos casos se constituírem como único sustento do(s) filho(s); as famílias unipessoais com mais de 65 anos são maioritariamente constituídas por mulheres, vivemos mais anos, mas muitas das vezes morremos sós. Adoro ser mulher, mas não consigo ignorar esta suposta fragilidade que parece estar associada ao meu género.


 


5 comentários:

Cremilda Laine disse...

Achei seu blog super fofo e essa homenagem linda. Vou te seguir. Segue meu blog também.

Alex disse...

Sublinho tudo o que escreveste Patrícia!

Bjs e Feliz dia da mulher!

* O meu cantinho * disse...

ola!

Tudo certinho ;)

bom dia da mulher ;)

beijo

Só comigo disse...

Que sejamos mulheres orgulhosas do que fazemos. Também acho que devíamos ser mais reconhecidas, tal como tu. Bj, tem um dia excelente.

Joana disse...

Gostei de ler, e concordo plenamente. Feliz Dia da Mulher *